DÉBORAH MOTOOKA PORTFOLIO
deborah_motooka@yahoo.com.br
quarta-feira, 23 de maio de 2012
Que tipo de jogador você é?
Roteiro: Déborah Motooka
Direção de Arte: Lincoln Grosso
Motion Designer: Chan Tong
quinta-feira, 15 de março de 2012
Videocase Gendai: Temaki de Kê
Roteiro: Déborah Motooka
Direção de Arte: Julio Molina
Motion Designer: Chan Tong
terça-feira, 17 de janeiro de 2012
Cup of coffee
A chuva batia no peitoral da janela com tanta força, que gotículas de água batiam na ponta de seu nariz e a faziam rir nervosa. Desde 1993 ficava assim quando tinha que dar uma notícia ruim. 1993 o ano fatídico, quando precisou terminar um namoro de playground com o Juca, uma bolota ruiva, e acidentalmente mordeu a língua. Passou, coitada, três dias intermináveis no hospital segurando entre os dentes um algodão cheio de sangue e saliva. A enfermeira lhe lembrava a Hebe, o que tornava sua estadia especialmente ruim. A Gracinha já comeu? A Gracinha já dormiu?
Graça era seu nome. Maldita ironia para quem estava agora tão sem graça fitando a testa (sim, a testa, não os olhos) de Teko, tentando terminar um namoro que só lhe trazia uma sensação de desbotamento, temendo o gosto de ferro na boca, mais uma vez. Tomou um fôlego mental e foi breve. Breve e casual, como se não fosse importante. Acabou. Sem dentes, sem língua, sem saliva, sem sangue. Só durou o tempo de uma xícara de café. Estava livre.
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
A classe C se digitalizou. Sua empresa está pronta para atendê-la?
A classe C, ou nova classe média, é a que mais cresce no Brasil. Mas será que as marcas estão preparadas para falar com este público?
Antigamente, fazer um curso de datilografia era um sinal de status. Hoje em dia, para um estrato considerável da população brasileira, este status equivalente a possuir um computador com acesso à internet.
Desde a década de 1990, com a estabilização econômica iniciada pelo Plano Real, muita coisa mudou no Brasil. Para se ter uma ideia, hoje em dia 53% da população é considerada da nova classe média, também conhecida como classe C.
Neste contexto, a necessidade constante de informação passou de segundo plano à posição de destaque nas prioridades familiares. Prova disto é que, em 2011, foi a classe C quem alavancou a venda de desktops no país, sendo que cerca de 70% destas pessoas já possuem acesso à internet.
E como as marcas estão se comunicando com este público nas mídias online? Muitas ainda se veem perdidas diante do desafio de estabelecer uma verdadeira "comunicação para a maioria".
A classe C deseja, acima de tudo, ser tratada com respeito e honestidade. Além disto, quer se sentir incluída, necessita de orientação no momento da compra, busca por qualidade, custo/benefício e valoriza as relações de confiança.
Cabe às empresas e agências de comunicação entender este público sem preconceitos, de forma a criar e manter relacionamentos online de longo prazo, que respeitem as particularidades deste novo e promissor consumidor digital. Ser interativo, saber ouvir e atuar de forma transparente e amigável é um bom começo para as marcas que desejam conquistar a confiança da classe C!
Texto publicado na revista Digi, edição 3.
Antigamente, fazer um curso de datilografia era um sinal de status. Hoje em dia, para um estrato considerável da população brasileira, este status equivalente a possuir um computador com acesso à internet.
Desde a década de 1990, com a estabilização econômica iniciada pelo Plano Real, muita coisa mudou no Brasil. Para se ter uma ideia, hoje em dia 53% da população é considerada da nova classe média, também conhecida como classe C.
Neste contexto, a necessidade constante de informação passou de segundo plano à posição de destaque nas prioridades familiares. Prova disto é que, em 2011, foi a classe C quem alavancou a venda de desktops no país, sendo que cerca de 70% destas pessoas já possuem acesso à internet.
E como as marcas estão se comunicando com este público nas mídias online? Muitas ainda se veem perdidas diante do desafio de estabelecer uma verdadeira "comunicação para a maioria".
A classe C deseja, acima de tudo, ser tratada com respeito e honestidade. Além disto, quer se sentir incluída, necessita de orientação no momento da compra, busca por qualidade, custo/benefício e valoriza as relações de confiança.
Cabe às empresas e agências de comunicação entender este público sem preconceitos, de forma a criar e manter relacionamentos online de longo prazo, que respeitem as particularidades deste novo e promissor consumidor digital. Ser interativo, saber ouvir e atuar de forma transparente e amigável é um bom começo para as marcas que desejam conquistar a confiança da classe C!
Texto publicado na revista Digi, edição 3.
Entre no Jogo!
Sim, eles estão entre nós... Basta olhar atentamente, e você perceberá que os games fazem parte de nossas vidas de formas, muitas vezes, insuspeitas
A realidade diária nos mostra que os games ganham cada vez mais importância nos momentos de lazer das pessoas. Mas não é só isso. Profissionais das áreas de medicina, engenharia, educação, treinamento executivo e, claro, de marketing já descobriram as infinitas possibilidades de utilização destes jogos para fins acadêmicos e corporativos.
No livro Got Game: How The Gamer Generation Is Reshaping Business Forever, John C. Beck e Mitchell Wade mostram que, atualmente, 92% das crianças dos EUA têm acesso a videogames, sendo que 75% das pessoas com menos de 40 anos se dizem familiarizadas com eles.
Marc Prensky, por sua vez, defende no artigo The Digital Game-Based Learning Revolution que a indústria de games muitas vezes supera os investimentos em marketing dedicados a mídias mais tradicionais. Basta observar as exuberantes feiras do setor ao redor do mundo, seu gigantismo hollywoodiano e os corações palpitantes que se reúnem ao redor das telas iluminadas.
Agora experimente utilizar os atrativos dos games para divulgar sua marca. A diferença é enorme! Em uma época em que a propaganda tradicional suscita questionamentos, críticas, sátiras, quando não bocejos de tédio, utilizar os games como ferramentas de divulgação de produtos e serviços torna-se atraente para marcas que buscam oferecer uma experiência mais interessante para seu público, de forma a capturar e manter sua atenção. O gamification, a nova tendência do marketing digital, é um poderoso recurso de engajamento, pois pode transformar qualquer situação cotidiana em um jogo. Isto faz com que atividades consideradas monótonas possam se tornar divertidas.
A lógica e a linguagem dos games permeiam nosso cotidiano de forma tão contundente, que estão presentes até mesmo nos sistemas bancários, que estão mais intuitivos e fáceis de acessar. Outro bom exemplo é o aplicativo de geocalização Foursquare, que dá pontos toda vez que uma pessoa dá check-in ao chegar a um local. Nos dois casos, são situações comuns, como ir a um restaurante, ao trabalho ou pagar uma conta, mas que agora podem proporcionar doses extras de diversão.
E sua empresa? Já conhece as possibilidades oferecidas pelos games? Tomara que sim, pois esta linguagem é, cada vez mais, universal.
Texto publicado na revista Digi, edição 3.
A realidade diária nos mostra que os games ganham cada vez mais importância nos momentos de lazer das pessoas. Mas não é só isso. Profissionais das áreas de medicina, engenharia, educação, treinamento executivo e, claro, de marketing já descobriram as infinitas possibilidades de utilização destes jogos para fins acadêmicos e corporativos.
No livro Got Game: How The Gamer Generation Is Reshaping Business Forever, John C. Beck e Mitchell Wade mostram que, atualmente, 92% das crianças dos EUA têm acesso a videogames, sendo que 75% das pessoas com menos de 40 anos se dizem familiarizadas com eles.
Marc Prensky, por sua vez, defende no artigo The Digital Game-Based Learning Revolution que a indústria de games muitas vezes supera os investimentos em marketing dedicados a mídias mais tradicionais. Basta observar as exuberantes feiras do setor ao redor do mundo, seu gigantismo hollywoodiano e os corações palpitantes que se reúnem ao redor das telas iluminadas.
Agora experimente utilizar os atrativos dos games para divulgar sua marca. A diferença é enorme! Em uma época em que a propaganda tradicional suscita questionamentos, críticas, sátiras, quando não bocejos de tédio, utilizar os games como ferramentas de divulgação de produtos e serviços torna-se atraente para marcas que buscam oferecer uma experiência mais interessante para seu público, de forma a capturar e manter sua atenção. O gamification, a nova tendência do marketing digital, é um poderoso recurso de engajamento, pois pode transformar qualquer situação cotidiana em um jogo. Isto faz com que atividades consideradas monótonas possam se tornar divertidas.
A lógica e a linguagem dos games permeiam nosso cotidiano de forma tão contundente, que estão presentes até mesmo nos sistemas bancários, que estão mais intuitivos e fáceis de acessar. Outro bom exemplo é o aplicativo de geocalização Foursquare, que dá pontos toda vez que uma pessoa dá check-in ao chegar a um local. Nos dois casos, são situações comuns, como ir a um restaurante, ao trabalho ou pagar uma conta, mas que agora podem proporcionar doses extras de diversão.
E sua empresa? Já conhece as possibilidades oferecidas pelos games? Tomara que sim, pois esta linguagem é, cada vez mais, universal.
Texto publicado na revista Digi, edição 3.
quinta-feira, 2 de junho de 2011
O Poder das Redes
Estamos em uma fase de mudanças. E, não há dúvidas, estas mudanças apresentam uma relação muito estreita com as redes sociais. Apesar de ser um conceito desgastado pelo uso constante, repetido à exaustão, trata-se da mais pura verdade, como podemos constatar no cotidiano, nos livros acadêmicos e, principalmente, na cultura pop como um todo. A grande questão é que são poucos os que realmente entendem este fenômeno em toda sua extensão e complexidade, que podem de fato discursar sobre ele além do mar de obviedades reproduzido nas primeiras linhas do texto. Mas, enfim, o que há de realmente novo nisto tudo?
Em seu e-book, David de Ugarte defende que, uma vez que somos seres sociais, sempre vivemos em rede, de uma forma ou outra. Sim, ele tem razão. A diferença é que agora contamos com, primeiro, as possibilidades oferecidas pela internet e, segundo, com uma ampla literatura que relaciona as redes a esferas do conhecimento como biologia, economia, marketing, publicidade, etc.
Em diferentes pontos do mundo são muitos os casos de manifestações populares que encontram sua forma de escape via redes sociais. Os motivos e insatisfações já estavam lá, latentes, com suas raízes em questões históricas sedimentadas há séculos, e agora as pessoas simplesmente encontraram uma forma rápida e barata de articular e tornar públicas suas reivindicações políticas e sociais. Em pouco tempo, as técnicas de guerrilha urbana puderam se desenvolver a tal ponto que autoridades antes inabaláveis agora se encontram desnorteadas.
E isto já é uma novidade e tanto! Alguns já apontam a ascensão de um novo e misterioso sujeito coletivo ou de uma “multidão inteligente”. Esta nova forma de articulação da comunicação social, que pouco a pouco vai tomando força, permite a defesa de ideias muito diferentes, ou mesmo opostas.
Paul Baran criou três estruturas distintas de redes: Rede Centralizada, Rede Descentralizada e Rede Distribuída, sendo que esta última representa a internet da forma que a conhecemos. Mais adiante, Rodrigo Araya, especialista chileno em História dos Movimentos Sociais relacionou diferentes acontecimentos históricos com estas três redes. A ideia principal subjacente deste trabalho de David de Ugarte consiste em nos mostrar as principais diferenças entre um mundo no qual as informações se distribuem em uma rede descentralizada para um mundo em que o processo se dá por meio de uma rede distribuída.
Segundo um slogan ciberpunk espanhol, por trás de toda arquitetura informacional se esconde uma estrutura de poder. A tecnologia, por sua ver, possibilita mudanças nesta estrutura de poder. Tanto que, ao longo da história, muitas estruturas de poder, uma a uma, ruíram pelas mãos de cientistas, hackers e protagonistas da contracultura americana dos anos 70. Um dos mais famosos, Richard Stallman, criou as bases do revolucionário conceito de software livre. E, para que tudo isto fosse possível, foi necessário o surgimento dos computadores pessoais e da internet. Mas como estas ferramentas se tornaram acessíveis para um número cada vez maior de pessoas?
No ano de 1975, em Los Altos, Califórnia, Steve Jobs e Steve Wozniak planejam construir um computador para uso pessoal. A fim de colocar em prática o plano, teriam que vender um caminhão e uma calculadora, respectivamente. Porém, Wozniak trabalhava para a IBM na época e, como parte do contrato, teria que oferecer seus projetos à empresa antes de explorá-los de forma independente. Ao apresentar seu plano aos executivos da empresa, a resposta foi como um balde de água fria. Questionaram o interesse das pessoas comuns por um computador pessoal, algo que naquela época demandava uma grande potência para funcionar.
E, de fato, o Apple I não era lá grande coisa em termos de potência: 4 Kb ampliáveis a mais 4 Kb. Hoje um número risível. Era o embrião da produção em série de uma ferramenta então incompreendida até mesmo por aqueles que tinham plenas condições econômicas (mas nem sempre intelectuais) de apoiá-la, os empresários. A IBM, por exemplo, pensava em suas máquinas como meras peças dentro de sua velha arquitetura centralizada.
Os hackers das universidades americanas, no entanto, não perderam tempo e começam a montar suas próprias versões de computadores por componentes. Mais baratos que os comercializados pelas grandes corporações. E quanto mais potentes se tornavam essas máquinas, mais potentes se tornavam também as redes que conectavam os hackers entre si. O desenvolvimento desta forma de interação, até então confinada aos redutos geeks das universidades, ganha impulso nos anos 80 e se traduz em termos mais conhecidos pelo grande público, como LAN, BBS e Usenet. A internet livre e massiva está cada vez mais próxima!
Os hackers, mesmo sem terem plena consciência disto, ajudaram a consolidar uma visão de mundo baseada no trabalho por reconhecimento, e não necessariamente por remuneração. Além de tornarem obsoleta a divisão calvinista entre trabalho entendido como castigo divino e tempo livre associado ao prazer. Estes valores se incorporaram ao desenho das novas ferramentas e às mudanças culturais e políticas que provocaram. Começava, ali, uma era de nova distribuição de poder, a era das redes distribuídas compostas por milhões de computadores pessoais. Este é o mundo que estamos construindo.
Nas redes distribuídas as pessoas não dependem da aprovação de ninguém para levar adiante sua mensagem. Não há filtros únicos. Porém, nas palavras de Alexander Bard e Jan Söderqvist, todo ator individual decide sobre si mesmo, porém carece da capacidade e da oportunidade de decidir sobre qualquer coisa para os demais atores. Ou seja, na teoria, a rede distribuída é composta por iguais, porém o poder para tomar grandes decisões continua nas mãos de poucos. Este sistema se chama pluriarquia.
Um dos primeiros meios de comunicação da sociedade pluriárquica foram os blogs. Ferramentas pessoais, simples e automáticas que permitem a publicação de conteúdos, principalmente em forma de textos. A moeda que se tem em jogo, neste caso, é a moeda social. Quanto mais leitores e citações em outros blogs, melhor para os bloggers. Em conjunto, a blogosfera tende a eliminar a separação entre emissores/receptores, na medida em que qualquer um, teoricamente, pode se tornar um emissor. É a ética hacker elevada a altas potências!
Alguns estudiosos defendem que estamos vivendo a Primavera das Redes, um movimento global no qual cidadãos de todas as partes do mundo, inseridos em culturas e contextos diferentes, se conectam e passam a fazer parte de movimentos de fiscalização dos processos democráticos, denunciando fraudes eleitorais, corrupções e excessos de autoridade por parte dos governantes. A Primavera das Redes é a materialização histórica concreta da globalização da democracia e das liberdades. E esta nova configuração só foi possível por meio da difusão de um estilo de vida baseado no fortalecimento coletivo e individual das pessoas diante do poder(empowering people).
Em meio a esta efervescência tecnológica e cultural surgem também os wikis, que em havaiano quer dizer “rápido”. Os wikis são programas e serviços utilizados para gerar, organizar e catalogar conhecimentos de maneira coletiva. A Wikipedia é um ótimo exemplo de construção coletiva de conhecimento.
A questão é que a rede em sua forma mais colaborativa, a web 2.0, é um verdadeiro incômodo para um contingente considerável de pessoas e instituições. É fato que a web 2.0 representa uma alternativa ao projeto de web corporativa e mais estática, característica da época do boom pontocom. Nessa fase, o poder de decidir o que seria produzido e distribuído se baseava no mesmo mecanismo dominante nas mídias tradicionais, o broadcasting, na qual poucos produzem e muitos consomem.
Mas não podemos nos enganar. Nos subterrâneos da web 2.0 ainda se escondem distribuições de poder mais ou menos justas, modelos sociais antagônicos, tensões psicológicas e sociais de todos os tipos, contradições. Existe uma visão platônica de que é possível descobrir verdades próximas da perfeição, um único resultado a partir de todos e para todos, por conta justamente desta construção coletiva. A Wikipedia, por exemplo, não se contenta com o rótulo de mais uma enciclopédia. Ela é apresentada como a enciclopédia do século.
O Digg não nos oferece seus resultados como o resultado da votação de preferências entre seus usuários, mas como um agregado que representa as preferências de toda a rede. No final das contas, podemos nos perguntar quem elege as informações que chegam até nós e quem as rotula de forma X e não Y. Para alguns, a resposta é uma verdade bastante incômoda. Serão as oligarquias participativas da web 2.0? Talvez.
Assim como em quase todas as instâncias da vida, parece ser irresistível para os seres humanos exercer algum tipo de poder sobre os demais. Por menor que ele seja. Na web 1.0, 2.0 (ou em muitas outras que certamente virão), não é diferente. Muitos novos usuários são atraídos pelo discurso participativo disseminado aos quatro ventos todos os dias. Mas, assim que tomam contato com as ferramentas, se dão conta de que alguns dos usuários mais antigos não poupam esforços para manter seu status quo. Ou seja, até mesmo em um ambiente pretensamente livre há uma espécie de divisão por estratos, uma linha editorial subentendida e, claro, uma forma de controle ideológico amenizada pela roupagem da modernidade.
Como dito anteriormente, muitas webs surgirão, mais ou menos parecidas com a que conhecemos hoje. Frutos de verdadeira evolução ou puro marketing, o fato é que agora nos deparamos com a chamada web 2.1. Mas o que é isto? Basicamente, se trata do fortalecimento dos serviços oferecidos no período anterior, mediante softwares que permitem a agregação de conteúdos por parte do usuário, sua transformação e redistribuição por meio de redes pessoais e sua difusão mediante integração com blogs.
A web 2.1 é uma rede de bricoleur que reúne usuários que criam, reciclam e publicam conteúdos existentes em suas próprias redes de interesse. Há em curso uma mudança de tendências na lógica da rede. Enquanto o YouTube permite compartilhar conteúdos audiovisuais, o Jumpcut gera uma rede e oferece ferramentas para a produção de tais conteúdos. Enquanto o Flickr e Picasa somente compartilham fotos, o Picnik converte todo o repositório público em um recurso para as criações dos próprios usuários. Nesses ambientes, cada usuário pode utilizar materiais de outros para produzir seus próprios conteúdos.
Em suma, a web 2.1 permite agregar os serviços da web 2.0, tornar a rede mais distribuída e a utilização de RSS e Atom como tecnologia base. Na próxima transição, prevêem os especialistas, alguns ativistas migrarão para a web 2.1, enquanto uma grande massa continuará na web 2.0, com todas suas ambiguidades.
Por fim, podemos concluir que, impulsionada pelas mudanças tecnológicas, a forma de se transmitir informações pela rede está mudando drasticamente. Se antes a estrutura da informação (e do poder) adotava uma forma de atuação descentralizada, com organização hierárquica bem definida, agora assume uma forma distribuída, em que qualquer um, potencialmente, pode encontrar, reconhecer e comunicar qualquer coisa. Este mundo distribuído é o ponto de partida da blogosfera e do conjunto de ferramentas online de publicação e comunicação pessoal.
Como consequência há toda uma reestruturação da agenda pública, que precisa prever e lidar com questões como o ciberativismo, que permite a comunicação em cadeia de ideias que podem, ou não, promover mudanças sociais, dependendo de muitos fatores, como a adesão das pessoas à causa defendida e o poder de articulação alcançado pelos componentes do grupo.
E no cerne de toda esta revolução estão as velhas relações sociais. Aquelas mesmas que nos fizeram, ao longo de toda a escala evolutiva, o que somos hoje: Seres que dependem uns dos outros não só para a sobrevivência, mas para a validação de pensamentos, ações e modos de vida. A diferença é que agora contamos com formas de interação completamente novas, identidades multifacetadas e um número indeterminado de agentes ativos. Viver em rede pressupõe, acima de tudo, aceitar e conviver com a diversidade territorial, política, racial, sexual, cultural, social... Mas quantos estão realmente preparados para assumir uma postura mais despojada, desvinculada da relação dominador/dominado que permeia toda nossa história?
Mais uma vez, nos deparamos com um delicado jogo de poder em que a liberdade individual e coletiva pode não ser interessante para todos. Não em igual medida. Mas a história está em curso acelerado. E cabe a nós, protagonistas, definir seus rumos sem os erros do passado.
Resenha a partir do e-book El Poder de las Redes de David de Ugarte.
Em seu e-book, David de Ugarte defende que, uma vez que somos seres sociais, sempre vivemos em rede, de uma forma ou outra. Sim, ele tem razão. A diferença é que agora contamos com, primeiro, as possibilidades oferecidas pela internet e, segundo, com uma ampla literatura que relaciona as redes a esferas do conhecimento como biologia, economia, marketing, publicidade, etc.
Em diferentes pontos do mundo são muitos os casos de manifestações populares que encontram sua forma de escape via redes sociais. Os motivos e insatisfações já estavam lá, latentes, com suas raízes em questões históricas sedimentadas há séculos, e agora as pessoas simplesmente encontraram uma forma rápida e barata de articular e tornar públicas suas reivindicações políticas e sociais. Em pouco tempo, as técnicas de guerrilha urbana puderam se desenvolver a tal ponto que autoridades antes inabaláveis agora se encontram desnorteadas.
E isto já é uma novidade e tanto! Alguns já apontam a ascensão de um novo e misterioso sujeito coletivo ou de uma “multidão inteligente”. Esta nova forma de articulação da comunicação social, que pouco a pouco vai tomando força, permite a defesa de ideias muito diferentes, ou mesmo opostas.
Paul Baran criou três estruturas distintas de redes: Rede Centralizada, Rede Descentralizada e Rede Distribuída, sendo que esta última representa a internet da forma que a conhecemos. Mais adiante, Rodrigo Araya, especialista chileno em História dos Movimentos Sociais relacionou diferentes acontecimentos históricos com estas três redes. A ideia principal subjacente deste trabalho de David de Ugarte consiste em nos mostrar as principais diferenças entre um mundo no qual as informações se distribuem em uma rede descentralizada para um mundo em que o processo se dá por meio de uma rede distribuída.
Segundo um slogan ciberpunk espanhol, por trás de toda arquitetura informacional se esconde uma estrutura de poder. A tecnologia, por sua ver, possibilita mudanças nesta estrutura de poder. Tanto que, ao longo da história, muitas estruturas de poder, uma a uma, ruíram pelas mãos de cientistas, hackers e protagonistas da contracultura americana dos anos 70. Um dos mais famosos, Richard Stallman, criou as bases do revolucionário conceito de software livre. E, para que tudo isto fosse possível, foi necessário o surgimento dos computadores pessoais e da internet. Mas como estas ferramentas se tornaram acessíveis para um número cada vez maior de pessoas?
No ano de 1975, em Los Altos, Califórnia, Steve Jobs e Steve Wozniak planejam construir um computador para uso pessoal. A fim de colocar em prática o plano, teriam que vender um caminhão e uma calculadora, respectivamente. Porém, Wozniak trabalhava para a IBM na época e, como parte do contrato, teria que oferecer seus projetos à empresa antes de explorá-los de forma independente. Ao apresentar seu plano aos executivos da empresa, a resposta foi como um balde de água fria. Questionaram o interesse das pessoas comuns por um computador pessoal, algo que naquela época demandava uma grande potência para funcionar.
E, de fato, o Apple I não era lá grande coisa em termos de potência: 4 Kb ampliáveis a mais 4 Kb. Hoje um número risível. Era o embrião da produção em série de uma ferramenta então incompreendida até mesmo por aqueles que tinham plenas condições econômicas (mas nem sempre intelectuais) de apoiá-la, os empresários. A IBM, por exemplo, pensava em suas máquinas como meras peças dentro de sua velha arquitetura centralizada.
Os hackers das universidades americanas, no entanto, não perderam tempo e começam a montar suas próprias versões de computadores por componentes. Mais baratos que os comercializados pelas grandes corporações. E quanto mais potentes se tornavam essas máquinas, mais potentes se tornavam também as redes que conectavam os hackers entre si. O desenvolvimento desta forma de interação, até então confinada aos redutos geeks das universidades, ganha impulso nos anos 80 e se traduz em termos mais conhecidos pelo grande público, como LAN, BBS e Usenet. A internet livre e massiva está cada vez mais próxima!
Os hackers, mesmo sem terem plena consciência disto, ajudaram a consolidar uma visão de mundo baseada no trabalho por reconhecimento, e não necessariamente por remuneração. Além de tornarem obsoleta a divisão calvinista entre trabalho entendido como castigo divino e tempo livre associado ao prazer. Estes valores se incorporaram ao desenho das novas ferramentas e às mudanças culturais e políticas que provocaram. Começava, ali, uma era de nova distribuição de poder, a era das redes distribuídas compostas por milhões de computadores pessoais. Este é o mundo que estamos construindo.
Nas redes distribuídas as pessoas não dependem da aprovação de ninguém para levar adiante sua mensagem. Não há filtros únicos. Porém, nas palavras de Alexander Bard e Jan Söderqvist, todo ator individual decide sobre si mesmo, porém carece da capacidade e da oportunidade de decidir sobre qualquer coisa para os demais atores. Ou seja, na teoria, a rede distribuída é composta por iguais, porém o poder para tomar grandes decisões continua nas mãos de poucos. Este sistema se chama pluriarquia.
Um dos primeiros meios de comunicação da sociedade pluriárquica foram os blogs. Ferramentas pessoais, simples e automáticas que permitem a publicação de conteúdos, principalmente em forma de textos. A moeda que se tem em jogo, neste caso, é a moeda social. Quanto mais leitores e citações em outros blogs, melhor para os bloggers. Em conjunto, a blogosfera tende a eliminar a separação entre emissores/receptores, na medida em que qualquer um, teoricamente, pode se tornar um emissor. É a ética hacker elevada a altas potências!
Alguns estudiosos defendem que estamos vivendo a Primavera das Redes, um movimento global no qual cidadãos de todas as partes do mundo, inseridos em culturas e contextos diferentes, se conectam e passam a fazer parte de movimentos de fiscalização dos processos democráticos, denunciando fraudes eleitorais, corrupções e excessos de autoridade por parte dos governantes. A Primavera das Redes é a materialização histórica concreta da globalização da democracia e das liberdades. E esta nova configuração só foi possível por meio da difusão de um estilo de vida baseado no fortalecimento coletivo e individual das pessoas diante do poder(empowering people).
Em meio a esta efervescência tecnológica e cultural surgem também os wikis, que em havaiano quer dizer “rápido”. Os wikis são programas e serviços utilizados para gerar, organizar e catalogar conhecimentos de maneira coletiva. A Wikipedia é um ótimo exemplo de construção coletiva de conhecimento.
A questão é que a rede em sua forma mais colaborativa, a web 2.0, é um verdadeiro incômodo para um contingente considerável de pessoas e instituições. É fato que a web 2.0 representa uma alternativa ao projeto de web corporativa e mais estática, característica da época do boom pontocom. Nessa fase, o poder de decidir o que seria produzido e distribuído se baseava no mesmo mecanismo dominante nas mídias tradicionais, o broadcasting, na qual poucos produzem e muitos consomem.
Mas não podemos nos enganar. Nos subterrâneos da web 2.0 ainda se escondem distribuições de poder mais ou menos justas, modelos sociais antagônicos, tensões psicológicas e sociais de todos os tipos, contradições. Existe uma visão platônica de que é possível descobrir verdades próximas da perfeição, um único resultado a partir de todos e para todos, por conta justamente desta construção coletiva. A Wikipedia, por exemplo, não se contenta com o rótulo de mais uma enciclopédia. Ela é apresentada como a enciclopédia do século.
O Digg não nos oferece seus resultados como o resultado da votação de preferências entre seus usuários, mas como um agregado que representa as preferências de toda a rede. No final das contas, podemos nos perguntar quem elege as informações que chegam até nós e quem as rotula de forma X e não Y. Para alguns, a resposta é uma verdade bastante incômoda. Serão as oligarquias participativas da web 2.0? Talvez.
Assim como em quase todas as instâncias da vida, parece ser irresistível para os seres humanos exercer algum tipo de poder sobre os demais. Por menor que ele seja. Na web 1.0, 2.0 (ou em muitas outras que certamente virão), não é diferente. Muitos novos usuários são atraídos pelo discurso participativo disseminado aos quatro ventos todos os dias. Mas, assim que tomam contato com as ferramentas, se dão conta de que alguns dos usuários mais antigos não poupam esforços para manter seu status quo. Ou seja, até mesmo em um ambiente pretensamente livre há uma espécie de divisão por estratos, uma linha editorial subentendida e, claro, uma forma de controle ideológico amenizada pela roupagem da modernidade.
Como dito anteriormente, muitas webs surgirão, mais ou menos parecidas com a que conhecemos hoje. Frutos de verdadeira evolução ou puro marketing, o fato é que agora nos deparamos com a chamada web 2.1. Mas o que é isto? Basicamente, se trata do fortalecimento dos serviços oferecidos no período anterior, mediante softwares que permitem a agregação de conteúdos por parte do usuário, sua transformação e redistribuição por meio de redes pessoais e sua difusão mediante integração com blogs.
A web 2.1 é uma rede de bricoleur que reúne usuários que criam, reciclam e publicam conteúdos existentes em suas próprias redes de interesse. Há em curso uma mudança de tendências na lógica da rede. Enquanto o YouTube permite compartilhar conteúdos audiovisuais, o Jumpcut gera uma rede e oferece ferramentas para a produção de tais conteúdos. Enquanto o Flickr e Picasa somente compartilham fotos, o Picnik converte todo o repositório público em um recurso para as criações dos próprios usuários. Nesses ambientes, cada usuário pode utilizar materiais de outros para produzir seus próprios conteúdos.
Em suma, a web 2.1 permite agregar os serviços da web 2.0, tornar a rede mais distribuída e a utilização de RSS e Atom como tecnologia base. Na próxima transição, prevêem os especialistas, alguns ativistas migrarão para a web 2.1, enquanto uma grande massa continuará na web 2.0, com todas suas ambiguidades.
Por fim, podemos concluir que, impulsionada pelas mudanças tecnológicas, a forma de se transmitir informações pela rede está mudando drasticamente. Se antes a estrutura da informação (e do poder) adotava uma forma de atuação descentralizada, com organização hierárquica bem definida, agora assume uma forma distribuída, em que qualquer um, potencialmente, pode encontrar, reconhecer e comunicar qualquer coisa. Este mundo distribuído é o ponto de partida da blogosfera e do conjunto de ferramentas online de publicação e comunicação pessoal.
Como consequência há toda uma reestruturação da agenda pública, que precisa prever e lidar com questões como o ciberativismo, que permite a comunicação em cadeia de ideias que podem, ou não, promover mudanças sociais, dependendo de muitos fatores, como a adesão das pessoas à causa defendida e o poder de articulação alcançado pelos componentes do grupo.
E no cerne de toda esta revolução estão as velhas relações sociais. Aquelas mesmas que nos fizeram, ao longo de toda a escala evolutiva, o que somos hoje: Seres que dependem uns dos outros não só para a sobrevivência, mas para a validação de pensamentos, ações e modos de vida. A diferença é que agora contamos com formas de interação completamente novas, identidades multifacetadas e um número indeterminado de agentes ativos. Viver em rede pressupõe, acima de tudo, aceitar e conviver com a diversidade territorial, política, racial, sexual, cultural, social... Mas quantos estão realmente preparados para assumir uma postura mais despojada, desvinculada da relação dominador/dominado que permeia toda nossa história?
Mais uma vez, nos deparamos com um delicado jogo de poder em que a liberdade individual e coletiva pode não ser interessante para todos. Não em igual medida. Mas a história está em curso acelerado. E cabe a nós, protagonistas, definir seus rumos sem os erros do passado.
Resenha a partir do e-book El Poder de las Redes de David de Ugarte.
The Virtual Revolution (The Homo Interneticus)
A internet surgiu há apenas 20 anos, mas já promoveu mudanças profundas em nossa maneira de pensar. Todos os aspectos de nossa vida, em maior ou menor grau, foram influenciados por esta revolução digital. A civilização humana, como um todo, está testemunhando, pela primeira vez, a conexão entre pessoas de qualquer lugar do mundo por meio da web. Mais quais são as consequências destas extraordinárias possibilidades de interação às quais temos acesso?
Sem exatamente nos darmos conta, somos protagonistas e cobaias de uma experiência única na história da humanidade. Corremos o risco de nos tornarmos excessivamente dependentes destas tecnologias? Serão as crianças futuros adultos superficiais, moldados pelo senso de urgência simulado pelos meios digitais? A web distorce ou enriquece nossa condição humana? E se a vida, pouco a pouco, deixar de ser real para se tornar virtual? Enfim, nos transformaremos no homo interneticus? Muitas perguntas, poucas respostas nas quais podemos nos apoiar com segurança.
Qual a nação mais plugada do mundo? EUA? Japão? China? Não. É a Coreia do Sul. Nesse país a web pode ser acessada de, virtualmente, qualquer lugar. A velocidade de conexão é, em média, dez vezes mais rápida que a de um país desenvolvido como, por exemplo, a Inglaterra. Se a tecnologia surpreende positivamente, o fator humano preocupa. Os coreanos estão preocupados com os hábitos dos internautas de seu país, no qual crianças podem passar até 18 horas por dia online. Muitas precisam de medicação para lidar com o comportamento vicioso. Entre os sintomas da abstinência estão ansiedade, irritação e instabilidade emocional.
A Coreia do Sul pode ser um caso extremo, mas nos mostra que os prejuízos acarretados pelo uso excessivo da internet não podem ser ignorados, além de nos oferecerem uma pista de como pode ser nosso futuro. Será o triunfo das sensações sobre o real significado das coisas?
Muitos pais ao redor do mundo observam que quando eram crianças não tinham sequer um telefone em casa e hoje se alarmam com o fato de que seus filhos não conseguiriam viver sem seus computadores e videogames. Vale lembrar que esta mudança de paradigmas aconteceu em duas décadas. O que, em termos históricos, não significa muita coisa. Pelo menos até agora. Para se ter uma idéia do volume de pessoas que adotaram as mídias online em suas vidas, se o Facebook fosse uma nação, seria a terceira maior do mundo, atrás apenas da China e da Índia.
Com pouco mais de 20 anos, Mark Zuckerberg anunciou o que seria, em suas palavras, a ferramenta que “mudaria a forma como o mundo funciona”. Apesar de soar arrogante, ele tinha razão. Por meio de um simples cadastro, qualquer pessoa poderia compartilhar informações pessoais, fotos, vídeos, links, hobbies, etc., com sua rede de contatos. Além de conectar pessoas ao redor do mundo, o Facebook é hoje um acervo de dados estratégicos em constante expansão para que empresas possam anunciar seus produtos e serviços tendo em vista targets bastante específicos. A sacada genial de Zuckerberg foi satisfazer, ao mesmo tempo, as necessidades de pessoas físicas e jurídicas ao redor do globo. E quanto mais conexões, maiores são as possibilidades oferecidas para cada usuário individualmente. Mas não se iluda, você não tem milhares de amigos.
Em qualquer classe animal, o cérebro é capaz de manter relações significativas com um número limitado de indivíduos. Precisamente 150 em primatas e humanos. Não por acaso é o limite máximo de componentes de grupos militares e outros grupos que remontam aos primórdios de nossa história. Ou seja, na maioria dos casos somos meros voyeurs da vida alheia quando se trata de interações em redes sociais. E aí vem a segunda sacada genial do então estudante de Harvard, disponibilizar em tempo real o status de todos os membros do Facebook, otimizando a forma de obter informações sobre a rede de contatos, sem a necessidade de visitar perfil por perfil,favorecendo interações instantâneas e engajamento pessoas-pessoas, pessoas-empresas, pessoas-Facebook e empresas-Facebook.
Como consequência, nosso cérebro está mudando sua estrutura de pensamento para absorver toda a quantidade de conteúdos que produzimos e consumidos. E a maioria não passa da primeira camada de superficialidade da maioria dos conteúdos que acessa. Todos têm pressa e anseiam pela próxima oportunidade de distrair o cérebro, diluir a atenção em meio à teia saturada de promessas e novidades.
Na década de 1960 o pesquisador Marshall McLuhan previu que no futuro todos estaríamos conectados em rede, como se estivéssemos sentados próximos uns aos outros. Para McLuhan as pessoas tendem a julgar as novas mídias de acordo com parâmetros construídos a partir das mídias estabelecidas. Daí a rejeição de tantas pessoas em relação à web, que a interpretam como um amontoado de futilidades.
Confusa para uns e item básico de sobrevivência para outros, a internet é, sem dúvida, uma oportunidade de engajamento político. A maior prova disto foi a campanha e posterior eleição do presidente americano Barack Obama, fortemente baseadas nas redes sociais.
Ao redor do mundo, jovens estão utilizando estas ferramentas para articular movimentos políticos que, independentemente de seu real poder de mudança, já promovem novas perspectivas políticas e geram questionamentos necessários para o amadurecimento do exercício da democracia.
Por último, não podemos menosprezar a importância de se estudar atentamente os efeitos da internet no cérebro e relacionamentos humanos. De que forma esta nova realidade afeta nossos sistemas políticos, econômicos e sociais? Nossa relação com o passado e o futuro? É esta nossa oportunidade de mudar a natureza humana para melhor? Isto é o que todos esperamos. E este é só o começo.
Resenha a partir do episódio Homo Interneticus, da série The Virtual Revolution exibida pela BBC.
Sem exatamente nos darmos conta, somos protagonistas e cobaias de uma experiência única na história da humanidade. Corremos o risco de nos tornarmos excessivamente dependentes destas tecnologias? Serão as crianças futuros adultos superficiais, moldados pelo senso de urgência simulado pelos meios digitais? A web distorce ou enriquece nossa condição humana? E se a vida, pouco a pouco, deixar de ser real para se tornar virtual? Enfim, nos transformaremos no homo interneticus? Muitas perguntas, poucas respostas nas quais podemos nos apoiar com segurança.
Qual a nação mais plugada do mundo? EUA? Japão? China? Não. É a Coreia do Sul. Nesse país a web pode ser acessada de, virtualmente, qualquer lugar. A velocidade de conexão é, em média, dez vezes mais rápida que a de um país desenvolvido como, por exemplo, a Inglaterra. Se a tecnologia surpreende positivamente, o fator humano preocupa. Os coreanos estão preocupados com os hábitos dos internautas de seu país, no qual crianças podem passar até 18 horas por dia online. Muitas precisam de medicação para lidar com o comportamento vicioso. Entre os sintomas da abstinência estão ansiedade, irritação e instabilidade emocional.
A Coreia do Sul pode ser um caso extremo, mas nos mostra que os prejuízos acarretados pelo uso excessivo da internet não podem ser ignorados, além de nos oferecerem uma pista de como pode ser nosso futuro. Será o triunfo das sensações sobre o real significado das coisas?
Muitos pais ao redor do mundo observam que quando eram crianças não tinham sequer um telefone em casa e hoje se alarmam com o fato de que seus filhos não conseguiriam viver sem seus computadores e videogames. Vale lembrar que esta mudança de paradigmas aconteceu em duas décadas. O que, em termos históricos, não significa muita coisa. Pelo menos até agora. Para se ter uma idéia do volume de pessoas que adotaram as mídias online em suas vidas, se o Facebook fosse uma nação, seria a terceira maior do mundo, atrás apenas da China e da Índia.
Com pouco mais de 20 anos, Mark Zuckerberg anunciou o que seria, em suas palavras, a ferramenta que “mudaria a forma como o mundo funciona”. Apesar de soar arrogante, ele tinha razão. Por meio de um simples cadastro, qualquer pessoa poderia compartilhar informações pessoais, fotos, vídeos, links, hobbies, etc., com sua rede de contatos. Além de conectar pessoas ao redor do mundo, o Facebook é hoje um acervo de dados estratégicos em constante expansão para que empresas possam anunciar seus produtos e serviços tendo em vista targets bastante específicos. A sacada genial de Zuckerberg foi satisfazer, ao mesmo tempo, as necessidades de pessoas físicas e jurídicas ao redor do globo. E quanto mais conexões, maiores são as possibilidades oferecidas para cada usuário individualmente. Mas não se iluda, você não tem milhares de amigos.
Em qualquer classe animal, o cérebro é capaz de manter relações significativas com um número limitado de indivíduos. Precisamente 150 em primatas e humanos. Não por acaso é o limite máximo de componentes de grupos militares e outros grupos que remontam aos primórdios de nossa história. Ou seja, na maioria dos casos somos meros voyeurs da vida alheia quando se trata de interações em redes sociais. E aí vem a segunda sacada genial do então estudante de Harvard, disponibilizar em tempo real o status de todos os membros do Facebook, otimizando a forma de obter informações sobre a rede de contatos, sem a necessidade de visitar perfil por perfil,favorecendo interações instantâneas e engajamento pessoas-pessoas, pessoas-empresas, pessoas-Facebook e empresas-Facebook.
Como consequência, nosso cérebro está mudando sua estrutura de pensamento para absorver toda a quantidade de conteúdos que produzimos e consumidos. E a maioria não passa da primeira camada de superficialidade da maioria dos conteúdos que acessa. Todos têm pressa e anseiam pela próxima oportunidade de distrair o cérebro, diluir a atenção em meio à teia saturada de promessas e novidades.
Na década de 1960 o pesquisador Marshall McLuhan previu que no futuro todos estaríamos conectados em rede, como se estivéssemos sentados próximos uns aos outros. Para McLuhan as pessoas tendem a julgar as novas mídias de acordo com parâmetros construídos a partir das mídias estabelecidas. Daí a rejeição de tantas pessoas em relação à web, que a interpretam como um amontoado de futilidades.
Confusa para uns e item básico de sobrevivência para outros, a internet é, sem dúvida, uma oportunidade de engajamento político. A maior prova disto foi a campanha e posterior eleição do presidente americano Barack Obama, fortemente baseadas nas redes sociais.
Ao redor do mundo, jovens estão utilizando estas ferramentas para articular movimentos políticos que, independentemente de seu real poder de mudança, já promovem novas perspectivas políticas e geram questionamentos necessários para o amadurecimento do exercício da democracia.
Por último, não podemos menosprezar a importância de se estudar atentamente os efeitos da internet no cérebro e relacionamentos humanos. De que forma esta nova realidade afeta nossos sistemas políticos, econômicos e sociais? Nossa relação com o passado e o futuro? É esta nossa oportunidade de mudar a natureza humana para melhor? Isto é o que todos esperamos. E este é só o começo.
Resenha a partir do episódio Homo Interneticus, da série The Virtual Revolution exibida pela BBC.
terça-feira, 18 de maio de 2010
IBOPE 2010 - Internet Sem Limites
Animação sobre os novos produtos do IBOPE de medição de audiência online. Foi apresentada no evento Internet Sem Limites 2010.
Roteiro: Déborah Motooka
Produção: Estúdio Zinne/Zinnerama
segunda-feira, 10 de maio de 2010
Mio Brasil - Dia das Mães
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